quarta-feira, 9 de julho de 2014

Episódio#3 - Soldados do Exército de Jah


Jah Rastafari Bless !!!
No episódio de hoje, tecerei minhas impressões sobre a banda de reggae S.O.J.A, um dos artistas contemporâneos que alcançou sucesso comercial ao som tribal de louvor oriundo da Jamaica.
Um bom diferente das canções de reggaes que estamos acostumados aqui em terras tupiniquins, geralmente voltadas para uma cadência lenta e uma atmosfera orgânica e bucólica denominada "roots", o S.O.J.A traz um som voltado para o pop e o rock.

Não que os caras sejam um Jota Quest que ouviu Bob Marley, mas por possuírem na maioria dos casos uma escala de intenção menor em suas músicas, típicas de canções pops e ainda guitas distorçidas e naípes de metais, assemelhando-se ao som de reggae vigoroso praticado aqui por Planta & Raiz, O Rappa(em seu album de estréia), Cidade Negra e nas canções mas populares de Bob Marley ou Peter Tosh. Obviamente, tudo mais compacto e "moderninho".

Os amantes do reggae roots podem não curtir pelo tom "pop", mas aos acostumados com as bandas de rock e reggae 90 brazucas, cosneguem viajar nos plays destes americados.

Particularmente curti o som dos caras pelos violões, naípes de metais, e guitarras com chorus. As guitas de reggae mesmo não fojem do lugar comum do estilo(palhetada pra cima), assim como os teclados(que acompanham o toque da palhetada). Os vocais de Jacob Hemphill não lá os maaaaaaais afinados, mas cumprem o propósito, e junto com as segundas vozes, fazem uma melodia até que agradável. Nada de novo, mas agrada. A bateria é mto boa, utilizando-se os contratempos e beats próximos ao aro típicos no início de músicas no estilo. Creio que o único ponto que realmente me desagrade no S.o.j.a seja o baixo de Bob "Bobby Lee" Jefferson. Embora seja grave(5 cordas e até 6 cordas em algumas gravações eu acho), a mesmice de suas linhas dá a sensação de monotonia e equidade de uma faixa para a outra. O baixo bem tocado no reggae traz brilho, virtuosismo e groove, não deixando o som morrer... mas no Soja, na maioria das vezes ele só acompanha, dando uma "cama" bem discreta e por vezes apagada.

O diferencial do SOJA está em sua capacidade de criar boas canções que "colam" mesmo na mente da gente, e por produzido um ótimo álbum em 2009 chamado Born In Babyon, de onde originou-se sua maior parcela de popularidade.

Os temas de suas canções são os mais variados, temos um pouco da espiritualidade rasta, retratos sociais, amor, e sobre o próprio mundo do Reggae. Neste ponto, a banda me agrada bastante, pois não temos um empenho social forçado (como o Rappa ultimamente vinha forçando), canções pop's e massantes (como o Cidade Negra já nos apresentou) e nem um tema totalmente Rasta (como o Ponto de Equilíbrio) que para os que desconhecem a filosofia das terras do Leãos de Judá, é como cantar em Líbanes para um público brasileiro.

Todas as bandas brazukas que eu citei eu aprecio bastante. Supercurto os trampos bons que os caras lançaram, os ruins não dá né. Acredito que estes pontos tenham colaborado para a popularidade do Soja. 

Abaixo o melhor trampo dos caras na minha opnião, pois ainda não conheço o Amid the Noise and Haste (2014) e Strength to Survive(2012). Destaques para "Rest of My Life ", "I Tried" , "I Don't Wanna Wait", "You and Me","Losing My Mind" , "Born in Babylon" e "Bleed Through" :


Episódio#2 - O Retorno dos Titãs em Nheengatu

Em seu recente álbum Nheengatu(2014), a banda Titãs mostra mais uma vez que é "a melhor banda dos últimos tempos da última semana". Desde Sacos Plásticos(2009), a banda não apresentava material inédito, e muito menos material "pesado", tendo em vista que o full-lenght citado é marcado por baladas, samplers, alguns momentos voltados para o rock and roll, mas de um modo geral, canções que não colaram nas rádios e na mídia e nem no gosto dos fãs. A turnê de aniversário do épico Cabeça Dinossauro(1986) com certeza ajudou os magros a retornarem ao espírito crítico, transgressor e punk e marcou o Titãs e que faltou nos lançamentos dos anos 2000.

Notamos claramente a tentativa da abnda de reinventar-se com base em dois ingredientes muito influentes contidos no passado da própria banda: o álbum Cabeça(supracitado) e Titanomaquia(1994). De um lando temos o clássico que marcou os Titãs como uma banda que disparava criticas afiadas aos mais variados setores da sociedade(polícia, família, igreja, governo) e do outro, um dos discos mais crus, ríspidos, pesados e ousados da discografia da banda e do rock Oitentista. Titanomaquia possui faixas incômodas, de difícil digestão, pautadas totalmente no heavy metal.

Nheengatu é um mix destes dois episódios, com críticas bem direcionadas (pedofilia em "Pedofilia" , homofobia em "Quem São os Animais?" , abuso de poder militar em "Fardado"  , violência contra  mulher em "Flores Para Ela"  ) além de momentos poeticamente roqueiros e brutos como "Não Pode","Senhor", "Canalha", "Cadáver Sobre Cadáver" e por aí vai.
O ponto mais interessante é que este não é um disco apenas para fãs fanáticos que enxergam pontos positivos até nas mediocridades que a banda fez, mas para fãs sensatos e pessoas que desconheçam a banda(sim, elas existem) terão uma grata surpresa.

Vide no final do post o clipe de "fardado", uma atmosfera sinistra, agressiva, já experimentada pelo grupo e há muito tempo não repetida.
Acompanhei via facebook também a quantitade de metaleiros que curtiram e recomendaram o álbum, demonstrando que o rock and roll da banda agradou os ouvintes de som pesado.

A formação está boa e entrosada. Os baixos de Branco Mello são simples, mas graves e cheios de brilho, destacando-se inclusive ao lado de outros bons músicos que a banda já possuiu. As guitas bases de Miklos cumprem bem seu papel, assim o teclado de Brito dá uma boa "cama" para as terças e o batera convidade executou tudo de modo bem orgânico e voltado para a escola Black Sabbath, Led Zeéllin, Purple e por aí vaí.

Creio que as guitarras de Tony Belotto estão um pouco apagadas, sem grande destaque, mas existem solos, inclusive com terças e provavelmente os riffs foram de sua "autoria" então, tá valendo!
Um disco nota 10!

Ha anos eu não ouvia algo pesando fora do metal, mas o Titãs deu-nos este presente.
Recomendadíssimo aos amantes de Música Brasileira de Qualidade, e óbvio, fãs de Rock e Heavy Metal.

No próximo episódio.... a atmosfera de Jah vai invadir o blog e falarei sobre o S.O.J.A.
Será que os caras são rasta mesmo? Dá pra ser rasta e pop ao mesmo tempo?
Aguardem o parecer...
Curtam e comentem!

Tracklist

"Fardado"
"Mensageiro da Desgraça"
"República dos Bananas"
"Fala, Renata"
"Cadáver Sobre Cadáver"
"Canalha" (cover de Walter Franco)
"Pedofilia"
"Chegada ao Brasil (Terra à Vista)"
"Eu Me Sinto Bem"
"Flores Para Ela"
"Não Pode"
"Senhor"
"Baião de Dois"
"Quem São os Animais?"  


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Episódio#1 - Rap, Rock and Roll e Reggae com P.O.D


Bom vou começar a compartilhar minhas opiniões a cerca do som que eu ouço e recomendo pra galera do face. Começando com uma banda que influenciou grandemente meu som e minha ideologia quando adolescente: P.O.D.

O Pa
yable On Death é uma banda originalmente de rapcore oriunda da Califórnia que posteriormente tornou-se uma das grandes bandas representantes do chamado New Metal no início dos anos 2000.

Os caras são conhecidos por mesclar punk rock, hard core californiano, hip-hop e reggae em seus sons provocando ma atmosfera bem diferente do que estamos acostumados, inclusive nesse meio do Metal Alternativo.

Vale a pena conferir a discografia completa da banda para identificação das várias mudanças sonoras e é claro, desenvolver a afinidade com o som que mais lhe agradar.

Esse ano o quarteto entra em estúdio para a gravação de um novo álbum e volta ao Brasil em agosto para 4 shows após 3 shows(ou 2 não lembro) realizados no mês de Abril aqui em terras tupiniquins.

Polêmicas já rodearam a banda considerada "vendida" ao mainstream no maior êxito comercial da carreira dos caras, o álbum "Satellite(2001)". Deste álbum vieram singles como "Alive", "Youth of the Nation" e "Boom".Além de boatos de simbologias ocultas no álbum "Payable on Death(2003)" e parcerias músicas um tanto quanto inusitadas para uma banda "cristã" como o reggae-man judeu Matisyahu, Sen Dog do Cypress Hill, Psycho Realm, Suicidal Tendencies, Hatebreed, Eak a MOuse, Bad Brains e pasmem até Kate Perry antes da fama!
Fora isso a tradicional indagação se afinal P.O.D é Cristão ou Rastafari, devido o uso frequente de "Jah" em suas canções.

Embora não curtam rótulos, o P.O.D é considerado uma das bandas cristãs mais influentes de sua fase (1990-2000), tendo sido associados sempre ao movimento gospel e inclusive aqui no Brasil, tiverem cds distribuídos pela BV Films(distribuidora gospel que nem sei se faliu) e realizaram em brasília um show no "dia do evangélico".

Independente se os caras são gospel, cristão, rasta, umbanda ou o que seja.... P.O.D é uma banda necessária e que faz músicas extremamente chicletescas (e isso não é uma crítica) afinal elas "grudam" mesmo na cabeça. Abaixo breves comentários sobre a disco:

Brown (1996)
Segundo album de estúdio ainda com uma orientação ao rapcore porém mais grooveada do que em SNTP(1994). Efeitos na voz de Sonny deixam o som um pouco sujo e ao meu ver "inferior" ao álbum inicial. Destaques para as canções: "Selah", "One Day", "Breathe Babylon", "Preach" e "Full Color".

The Fundamental Elements of Southtown (1999)
Primeiro álbum a render mais de 1 milhão de cópias vendidas para a banda. Para mim, um enfado. Vinhetas, intros e efeitos desnecessários tornam a audição cansativa e arrastada. Porém a linha vocal e de guitas indica que caminhos o P.O.D abordaria dali pra frente. Destaques para: "Hollywood" , "Southtown", "Rock The Party (Off the Hook)" , "Set Your Eyes to Zion" e "Bullet The Blue Sky"(cover do U2).

Satellite (2001)
Produzido por Howard Benson o mesmo de SOUTHOWN. Vendeu 3 milhões de cópias, primeiras posições na Billboard, fase de maior sucesso comercial da banda que nunca mais voltou a se repetir. Destaques para: "Without Jah, Nothin'", "Satellite", "Youth Of The Nation" , "Boom" e um dos hinos da banda e do New Metal: "Alive".

Payable on Death (2003)
Àlbum misterioso e melódico. Após a saída do guitarrista Marcos Curiel por supostas desavenças ideológicas e comerciais, as guitas foram assumidas por Jason Truby, da formação clássica da banda de Trash Metal Living Sacrifice. Destaques para: "Change The World", "Revolution", "Freedom Fighters", "Sleeping Awake" e "Will You".

Testify (2006)
O meu álbum favorito. Truby junta sua melodia e tecnica às ifluências do P.O.D e juntos fazem um álbum melódico, alternativo, mas com pegadas de hip hop e reggae como os fãs gostam. Não tão "bagunçado" e com o feeling do guitarrista Curiel porém mais técnico e trabalhado. Destaques para: "Roots in Stereo", "Lights Out", "Goodbye For Now", "On The Grind", "Strength Of My Life", "Teachers" e as faixas bônus BEMMMM diferentes e belíssimas: "Generation", "Bridge to Burn" e "Every Time I Die" que compõem de mo excelente a ideia do álbum. Infelizmente, por razões contatuais e comerciais a parada foi muito mal divulgada e portanto um dos álbuns menos bem sucedidos da carreira da banda.

When Angels & Serpents Dance (2008)
O guitarista Curiel retorna, menos felling e mais melódico. Àlbum alternativaço. Tem rap, tem reggae e as características de cultura urbana. Alguns toque de um New Metal mais pesadinho também. Destaques para:
"Addicted" , "Shine with Me, "It Can't Rain Everyday" , "Kaliforn-Eye-A", "God Forbid", "Tell Me Why", "I'll Be Ready" e "End of the World".

Murdered Love (2012)
Produtor Howard Benson retorna pra tentar repetir a parceria de sucesso de Southown e Satellite. Ao meu ver não funciona muito bem. Um álbum curto e rápido, que tem reggae, rap, ska, punk mas não tem muito o que dizer. A idéia saiu melhor que o resultado. Nota-se claramente a influência das fases anteriores da banda porém meio plástico e pasteurizado. Obviamente,#MINHAOPINIÃO. Destaques para: "Eyez", "Murdered Love", "Higher" , "Lost in Forever", "I Am" e "Babylon the Murderer" .

Snuff the Punk (1994)

Abaixo o link do primeiro(e menos conhecido) álbum dos caras onde podemos acompanhar um rapcore duro, seco, com alguns grooves e uma pegada visceral.
Valew a quem leu até o fim, ou quem desistiu também kkk Bom dia a todos, logo mais nos vemos no próximo "Flando de música" sobre o disco Nheengatu(2014) do Titãs! Não percam!

Comentem e compartilhem á vontade.